sábado, 18 de julho de 2009

Acontece

Raramente,
mas acontece,
me sinto deprimido


sento espremido no banco
esquecido
mesmo franco da bela vista contemplada da baia.
Em vez de agente do esplendido momento
me encontro jogado na beira do mar
concha solitária
sola de tênis abandonado de um pé só
madeira naval lixo plástico
lambidos pela onda que vem tonta
desinteressada da vida.
Sob a água salgada minúsculos furos tentam respirar.
Quem serão eles ?
Habitats do meu desfuturo ?
Pensam que não são meus.
Sou tudo e nada é meu.
Pela entrada rala
entro atrás do teu ruído
fluído penetro
mescondo
siri matutino
procurando o fim da praia
sem saber que ela não tem ponta
jamais terá.
Nessas horas
nada conta
nada consta
de extraordinário
planetário de estrelas marinhas
só pra mim
sejam minhas
companheiras ao longo do dia.
Mas às vezes me sinto só
ermo
isolado
em vez de me sentir único
ímpar
par
ímpar
par
ganhei
o jogo é assim.

foto de José Alberto Sarquis

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